As pessoas têm medo de estar sozinhas. Eu tenho.
Às vezes dou por mim a pensar em como estarei daqui a uns anos. Imagino-me com a pele já traslúcida a passar o Natal ao lado do meu Homem, com os netinhos a correr ali ao pé, e com os filhotes, e as suas respectivas, a preparar a ceia. Bonito. Bem bonito.
Depois, quando de facto paro para pensar (pensar com o cerebro) vem-me à ideia a realidade da maioria dos velhos (velhos sábios, não velhos trapos). Mendigos de carinho, de afecto, de atenção. Que definham nos lares, pelo nosso velho (velho de trapo) Portugal. Portugal, e portugueses esses que empurram a culpa do abandono dos sábios, do filho, que não tem tempo, para o estado, que não tem dinheiro, do estado para o sobrinho, que não tem espaço, e do pobre sobrinho para o dono do lar, que coitado (!) não tem condições. Triste. Bem triste.
Só estamos dispostos a dar amor, a quem nos dá algo em troca. Algo que não sejam fraldas sujas de velho. Algo ... nem que seja uma memória. Memória da pessoa que foram. (PORTUGUÊS TEM MEMÓRIA CURTA)
gostei muito.
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