terça-feira

até debaixo dos pés que pisam

Gosto mesmo bué de ti. A sério, és como se fosses a minha irmã mais velha mãezinha. Fazes-me sempre ver as coisas de outra forma. Tanto me dizes que sim a tudo como sabes dizer que não quando preciso de ouvir. Sabes, quando era pequenina, às vezes tinha vontade de me esconder de baixo da cama só para ficar mais um pouco contigo. Acho que nunca o demonstrei para não magoar a mãe. Às vezes ainda tenho essa vontade de menina, de me esconder debaixo da cama e ficar à espera que me vás lá encontrar com grande surpresa fingida ou de fechar os olhos como se estivesse a dormir para poder passar lá a noite. Gostava de voltar a ser esse "doce" que era. Gostava que voltassem a falar de mim com esse brilho nos olhos, um misto de orgulho e ternura. Hoje tudo julga, tudo magoa, tudo fala com brilho nos olhos, brilho de raiva.

Apesar de tudo, tenho a sorte de te ter, minha irmã mais velha mãezinha, sei que irás sempre procurar-me e encontrar-me, esteja eu debaixo da tua cama, esteja eu debaixo da ponte, esteja eu debaixo dos pés que pisam.

Gosto mesmo bué de ti.

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